Nota Pública da Rede Trans Brasil a respeito da entrevista do Dr. Alexandre Saadeh, ao Portal Universa/UOL.

A Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil – REDETRANS Brasil teve sua fundação e registro no ano de 2009, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), e é uma instituição nacional que representa as pessoas Travestis e Transexuais no Brasil.

População essa que, no Brasil, compartilha de histórias de exclusão social e discriminação, a qual é origem de muito sofrimento, confirmado por meio de discursos sobre a violência e a depreciação social que sofrem todos os dias. Essas pessoas refletem em sua fala um sentimento de aflição relativo à sua sociabilidade diária, assinalada pelos confrontos e enfrentamentos rotineiros, devido à não-aceitação da sociedade que pode levar ainda ao suicídio.

A entrevista cedida pelo Dr. Alexandre Saadeh para o Portal Unversa/uol, disponível em https://bit.ly/2Ujk99f, reafirma velhos estigmas e contribui para perpetuar tabus contra pessoas trans. Junto a isso, responsabilizando a visibilidade que a comunidade trans tem conquistado pelo que ele chama de “banalização da transexualidade” e reafirmando o olhar médico de que pessoas trans não teriam autonomia sobre suas escolhas.

Repudiamos essa abordagem, os problemas que ela apresenta e seus efeitos negativos. E reafirmamos nosso compromisso para o enfrentamento de posições tendenciosas que ferem o direito à livre expressão da individualidade humana, a autonomia e a luta pela despatologização da vivência trans pelo mundo.

As identidades trans são uma construção social e não se baseia numa lógica padrão do modelo cisnormativo; afirmar que existe “uma banalização das identidades trans” é desconhecer as múltiplas violências que nós pessoas trans sofremos cotidianamente pelo simples fato de vivenciar a transexualidade.

Queremos ser reconhecidas pela nossa identidade, sem necessitar justificá-la em todos os momentos, a fim de que não permaneçamos na clandestinidade. Ressalte-se que nenhuma pessoa cis é constrangida ou negada o acesso por conta da sua identidade de gênero; já nós, pessoas trans, estamos, todos os dias, tendo que justificar a nossa identidade como se nossos corpos fossem apenas “imitação” ou “fantasia”.

O discurso da não aceitação das nossas identidades, por achar que somos meramente imitação, justifica o assassinato de pessoas trans anualmente no Brasil, visto que esses casos de transfobia são motivados por uma não aceitação da nossa existência.

Sergipe, 08/04/2019

Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil – REDETRANS Brasil

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Nota Rede Trans

Link da Matéria: https://paulosampaio.blogosfera.uol.com.br/2019/04/05/sem-casos-de-arrependimento-diz-especialista-em-transicao-de-genero

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