NOTA DE PESAR E PELO RESPEITO A IDENTIDADE DE GENERO DE PESSOAS TRANS NO BRASIL

A Rede Trans Brasil, recebeu uma denúncia nesta quinta-feira, 11 de junho, da presidenta da Associação de Travestis e Transexuais de Salvador, sobre mais um desrespeito a identidade de gênero de uma mulher trans, o pior é saber que isso aconteceu após o seu falecimento, “Ketlin tinha se manifestado com a intenção de reunir documentos e fazer sua alteração de nome” relatou Milena Passos, que mesmo após manifestar a família da vítima sobre sua vontade, teve esta questão minimizada como algo supérfluo a vida de uma mulher trans.

Com isso a Rede Trans se posicionou e publicou a nota a seguir:

Na sociedade, identidade de gênero não depende do sexo biológico, se refere ao gênero com que a pessoa se identifica, mas pode também ser usado para referir-se ao gênero que certa pessoa atribui ao indivíduo tendo como base o que tal pessoa reconhece como indicações de papel social de gênero.

A identidade de gênero pode ser binária, quando a pessoa se reconhece como homem ou mulher, ou não-binária, quando não se identifica com nenhum ou com ambos os gêneros.

A maioria das pessoas trans travam uma luta árdua para o reconhecimento desta identidade para exercer minimamente suas obrigações diárias como cidadã, tendo em muitos casos a negativa deste direito, o que lhe afasta naturalmente do âmbito social.

Ketlin Santos, mulher trans e negra foi assassinada a tiros na orla marítima de Salvador – BA, na madrugada deste último dia 11 de junho, ela será mais uma história de vítima de transfobia, sendo ela expressada em violência física, porém sofrerá novamente de transfobia por ter sua identidade negada, mesmo sendo o seu desejo ser vista e reconhecida como Ketlin Santos, a família permitiu a divulgação de imagem da companheira com a divulgação do nome de registro e minimizou a possibilidade de alteração após solicitação de membros da Associação de Travestis de Salvador – ATRAS, onde relatavam o desejo da mesma para alteração do nome e gênero nos documentos, assim como, sua habitual divulgação somente do nome social.

O nome social não é um apelido! Apelido é uma designação particular para se referir a alguém em vez do nome próprio, pessoas transexuais e travestis utilizam para informar à sociedade seu nome, adequado à sua expressão/identidade de gênero, corresponde à forma como ela se reconhece, é reconhecida, identificada e denominada em sua comunidade e é imprescindível para sua inserção social, negar esta condição inclusive na hora da sua partida fere a dignidade humana e promove a invisibilidade de uma vida que existiu, inclusive sendo devastada pela transfobia.

Respeito por nossas vidas!

 

BAIXE A NOTA NA ÍNTEGRA:

Nota de Pesar e pelo Respeito a Identidade de Gênero de Pessoas Trans no Brasil

Deixe um comentário