Rede Trans Brasil clama por saúde integral para todas as mulheres

Saúde é para todas as mulheres e não se trata apenas de doenças e maternidade. Neste 28 de maio, Dia Internacional de Luta pela Saúde das Mulheres, a Rede Trans Brasil chama atenção para uma ideia de saúde integral para mulheres, sejam elas cis, trans ou travestis. É preciso lutar pela saúde física, emocional e mental das mulheres. Por esse conceito passam fatores como alimentação, educação, moradia, oportunidades de trabalho e segurança.

A saúde das mulheres é perpassada pela violência. No caso das mulheres trans e travestis, essa questão se aprofunda de forma trágica: o Brasil lidera o ranking de assassinatos de pessoas trans no mundo. Por isso, a expectativa de vida de travestis e mulheres trans no Brasil é de 35 anos, de acordo com dados de 2013 do IBGE. A população de mulheres trans e travestis também é das mais privadas do acesso aos serviços de saúde – resultado de uma exclusão social que começa cedo, quando crianças ou adolescentes, sendo expulsas de casa por suas famílias e perdendo oportunidades de educação e profissionalização.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) ainda classifica a transexualidade como transtorno mental – embora estudos provem o contrário. Mesmo assim, houve avanços no campo da saúde das pessoas LGBT no Brasil. Em dezembro de 2011, foi instituída a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), através da Portaria nº 2.836, que assegura o “respeito aos direitos humanos LGBT contribuindo para a eliminação do estigma e da discriminação decorrentes das homofobias, como a lesbofobia, gayfobia, bifobia, travestifobia e transfobia, consideradas na determinação social de sofrimento e de doença”. O uso do nome social no SUS, permitido em 2012, também foi outra importante conquista nesse âmbito.

Ainda assim, fica nítido que há muito a ser transformado. A população trans é diariamente afastada de seus direitos através do preconceito e da violência do cotidiano. Precisamos lutar pela segurança de mulheres, lésbicas, bissexuais, travestis e trans, contra as diferentes formas de violência cometidas todos os dias por uma sociedade ainda machista, misógina e LGBTfóbica.

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