Segundo dia de workshop traz apresentação do Censo Trans e a importância dos dados estatísticos para o advocacy

Dediane Souza (CE) apresenta dados preliminares do Censo Trans

O segundo dia do 5º Workshop Nacional da Rede Trans Brasil, que acontece entre 3 e 5 de abril, na cidade de Aracaju (SE), foi focado na importância da produção de dados estatísticos sobre a população trans e do uso estratégico desses dados para proposições de políticas públicas através do advocacy. A programação foi aberta com a apresentação preliminar de dados do Censo Trans, programa realizado pela Rede Trans Brasil em parceria com o Fundo Positivo, que traz o perfil socioeconômico de travestis e transexuais do gênero feminino em dez capitais brasileiras.

Durante a apresentação, a secretária-geral da Rede Trans Brasil, Dediane Souza (CE), ressaltou que não existem dados oficiais do Governo Federal para traçar o perfil da população trans no Brasil. “O censo confirma as narrativas das lideranças brasileiras, que sempre denunciaram o contexto de vulnerabilidades vivenciados por essa população em nosso país”, pontuou ela. O Censo Trans mostra, por exemplo, que 58% das entrevistadas são pretas e pardas, 42,1% não concluíram o ensino médio. Já 82,4% estão em contexto de prostituição e 91% tem uma renda média igual ou menor que um salário mínimo.

Roda de conversa sobre saúde pública e política ambulatorial

Segundo a presidenta da Rede Trans Brasil, Tathiane Araujo (SE), a intenção inicial do Censo Trans era abranger a população trans feminina e masculina nas 27 capitais brasileiras, mas a pesquisa foi realizada contando exclusivamente com a boa vontade das entidades filiadas. “É uma primeira amostra do censo, das dez entidades que resistiram e conseguiram fazer esse trabalho sem nenhum tipo de aporte financeiro”, ela explica. Uma segunda versão, incluindo homens trans e novas cidades, está nos planos da instituição.

A programação do workshop seguiu abordando a produção de dados sobre a população trans e seu uso para o advocacy. Pela tarde, as rodas de conversa fizeram análises do perfil socioeconômico da população de travestis e transexuais nos contextos de educação, trabalho e renda, em aspectos de prevenção e assistência às IST/HIV/AIDS e de violências, violações de direitos e morte social.

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